segunda-feira, 3 de março de 2008

Comércio Exterior, a Explosão das Importações - análise IEDI

O saldo comercial brasileiro teve uma queda muito significativa nos dois primeiros meses do corrente ano. Foi de apenas US$ 944 milhões em janeiro e US$ 882 milhões em fevereiro, segundo divulgou hoje o MDIC. O saldo menor em fevereiro é explicado pelas maiores importações de petróleo e combustíveis nesse mês, enquanto no mês anterior as compras desse item tinham sido baixas. Isso esclarece a variação de um mês para outro, mas está muito longe de servir como motivo para resultados extremamente baixos da balança comercial, que na média desses dois meses com relação ao bimestre janeiro/fevereiro de 2007, foi 67,1% menor. Em valor total, o saldo do bimestre do ano passado chegou a US$ 5,4 bilhões e nesse ano a apenas US$ 1,8 bilhões.
A avaliação geral é de que o comércio exterior brasileiro irá obter saldos mensais mais favoráveis ao longo do ano. Porém, o que salta aos olhos é que não há um fato propriamente novo que explique o resultado tão baixo dos dois primeiros meses de 2008. Em outras palavras, o comércio exterior brasileiro nesse período tão-somente seguiu as tendências, especialmente de crescimento verdadeiramente explosivo das importações, que já vinham se apresentando desde o último trimestre do ano passado.
O crescimento maior da economia e um novo boom de investimentos que se observa na passagem de 2007 para 2008 estão na base dessa explosão das importações. Mas o processo teria sido muito menos pronunciado e muito mais propiciador de uma participação mais efetiva dos produtores domésticos se a valorização da nossa moeda não tivesse ocorrido na magnitude e na velocidade com que se deu. Em pouco mais de um ano o Real se valorizou em cerca de 20%, formando toda uma cadeia de reações empresariais de defesa de sua competitividade. Estas reações, por seu turno, conduziram a uma substituição da produção doméstica por importação, igualmente forte e rápida dos insumos e componentes na fabricação doméstica de bens, seja para exportação, seja para colocação no mercado interno.

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